Sob o Véu
Na penumbra entre o real e o eterno, desperta a força que molda o invisível. Ela caminha entre mundos, conduzindo o fogo e a brisa, a terra e a carne, o grito e o silêncio. Carrega nos olhos o espelho da noite e nas mãos o poder de criar e destruir — o dom de recomeçar quando tudo parece ruína.
A bruxa é o arquétipo da mulher livre, aquela que sente antes de compreender, que intui o que os deuses apenas pressentem. Foi temida porque ousou existir em sua totalidade — corpo, instinto e espírito em comunhão. Foi perseguida porque dançou sob a lua, onde o poder não se ajoelha.
Mas a bruxa não morre. Ela se transmuta. Renasce em cada mulher que escuta a própria voz, em cada alma que não aceita o jugo da ordem imposta. “Bruxaria” é o chamado do sagrado feminino: a música do ventre e da estrela, do sangue e da luz. É o rito da mulher que, ao se reconhecer, liberta o mundo.
Letra
Do alto da minha torre Eu vejo o futuro nas cartas Subo mil lances de escadas Pra encontrar o meu amado E ouço quieta em silêncio O toc toc da bruxa no meu quarto. Sussurro línguas e danço libras Sou forte sou destemida Tenho as folhas como amigas E a água como aliada Do cristal roubo energia E o espelho é meu portal enluarado. Princesa, guerreira, valente Ao amor, predestinada No dia luz incandescente Na noite Estrela cadente No mar sereia encantada. Sigo entre passado e futuro Nas linhas da minha mão Destinos que veem selados Abertos ou entrelaçados Atados em fios de condão. Sou bruxa, sou tudo sou nada Sou zen, energia, "mirada" força bruta, nunca domada Tomando conta de tudo Com a força da natureza E a energia das matas. Princesa, guerreira, valente Ao amor, predestinada No dia luz incandescente Na noite Estrela cadente No mar sereia encantada.