Manifesto

Véu Negro nasceu de mim, mas não precisa terminar em mim.

Meu nome é Aldo Campos. Dei o nome de Véu Negro ao universo que fui construindo para dar forma a músicas, imagens, palavras, símbolos e inquietações que pediam passagem.

Entre. Veja o que acontece com você aqui dentro.

Antes do Véu

A criação sempre esteve comigo.

Durante muito tempo, porém, ela precisou dividir espaço com trabalho, escolhas, responsabilidades e tudo aquilo que a vida prática exige de nós.

Nunca desapareceu. Apenas encontrou outras formas de permanecer.

Ficou nos desenhos, nas palavras, nas músicas imaginadas, nas imagens que surgiam sem aviso, nas perguntas que continuavam voltando mesmo quando eu estava ocupado demais para respondê-las.

Até que, em algum momento, guardar deixou de ser suficiente.
Foi preciso dar forma.

E então surgiu o Véu

Dei a esse universo o nome de Véu Negro.

A música tornou-se uma de suas portas mais visíveis, mas o Véu nunca coube apenas nela.

Aqui se encontram música, imagem, poesia, narrativa, objetos, símbolos, mito, sombra, amor, violência, morte, desejo, transformação e tudo aquilo que, de alguma maneira, me provoca a criar.

Algumas ideias viram canções. Outras pedem palavras. Algumas exigem imagens. Outras precisam existir como objetos, personagens, ritos ou simplesmente perguntas.

Nem tudo que nasce no Véu quer ser explicado.
Às vezes, precisa apenas existir.

Quando crio

Não construí o Véu para oferecer respostas.

Crio para dialogar com aquilo que me inquieta, me fascina, me incomoda ou permanece sem nome.

Há coisas que compreendo melhor depois de transformá-las em música. Outras ficam ainda mais misteriosas. E talvez isso também faça parte.

Não tenho interesse em eliminar a sombra de tudo aquilo que encontro. Algumas vezes é justamente nela que uma imagem ganha profundidade, uma pergunta ganha força ou alguma transformação começa.

O Véu é também esse lugar de confronto, imaginação e descoberta.

E você?

Não espero que você encontre nessas obras exatamente aquilo que coloquei nelas.

Talvez uma música lhe diga outra coisa. Uma imagem desperte uma lembrança que eu desconheço. Um poema toque um lugar que eu nunca imaginei. Um símbolo adquira para você um significado completamente diferente daquele que teve para mim.

Melhor assim.

Depois que uma obra encontra alguém, ela já não pertence inteiramente a quem a criou. É nesse encontro que ela continua vivendo.

Um convite

Você não precisa seguir uma ordem.

Pode começar por uma música, abrir uma caixa no Gabinete, assistir a um vídeo, ler um poema ou atravessar a Caverna do Oráculo.

Pare onde alguma coisa chamar sua atenção. Fique o tempo que quiser. Passe adiante quando quiser.

Há caminhos diferentes dentro do Véu.

Talvez algum deles leve a um lugar que já existia em você.

Eu abri o Véu. O que você encontra atrás dele já não depende apenas de mim.

Aldo Campos — Véu Negro