Sob o Véu
“Burnout - Ritual Macabro” nasceu da minha percepção de uma exaustão que se espalha de forma quase epidêmica, atingindo cada vez mais pessoas e, de modo especialmente inquietante, também os mais jovens.
Sempre me incomodou uma cultura que transforma desempenho em medida de valor: produzir mais, entregar mais, superar metas, permanecer disponível. O resultado passa a justificar o desgaste, enquanto corpo e mente são empurrados para além de seus próprios limites.
A canção acompanha o momento em que essa engrenagem começa a falhar. As cores se apagam, o sentido se desfaz e o corpo passa a dizer aquilo que já não pode ser ignorado.
Sob o Véu, o burnout também se torna símbolo de um modelo de vida que consome aquilo que pretende aperfeiçoar. O ritual se rompe quando surge a possibilidade mais difícil: interromper, reconhecer o limite e recuperar aquilo que a lógica do desempenho tentou reduzir a resultado.
Letra
No altar do Capital Sou o próprio sacrifício Um autômato marchando Ao limiar do precipício Tudo pesa e nada faz sentido As cores se desvanecem Eu me perdi de mim Me perdi de mim Não dá Não dá mais Estou quebrando Quebrando Tudo exige. Tudo aperta. Tudo cobra Tudo exige. Tudo aperta. Tudo cobra Eu parei Meu corpo gritou: “não”, antes de mim Eu não sei mais quem eu sou Silêncio Eu preciso me olhar Eu preciso existir Encaro o espelho e eu ainda estou aqui Eu encontro quem eu sou Respiro Resisto Luto Sobrevivo Mudo o rumo e o destino Antes de queimar até o fim Antes de queimar até o fim Antes de queimar