Sob o Véu
“Véu Negro” é o rito inaugural: o chamado para dentro. Nasce de uma relação antiga com símbolos, imagens, mitos e arquétipos, atravessada pela arte, pela percepção e pelo fascínio pelos territórios mais obscuros da mente humana.
A canção abre a passagem ao subterrâneo da psique, onde a sombra respira e a lucidez arde. Entre a Esfinge Caveira, o cavaleiro das trevas e a chama ancestral, ergue-se o impulso de atravessar o medo até que algo oculto possa revelar o próprio rosto.
Aqui, luz e escuridão, instinto e consciência, sonho e vigília deixam de ser simples opostos e passam a coexistir como partes de uma mesma transformação. Talvez “Véu Negro” não tenha sido apenas o início de um projeto, mas o reconhecimento de um chamado que já vinha sendo feito há muito tempo.
Letra
A Mariposa Esfinge Caveira Voa na noite Soturna e ligeira Avisando dos presságios Do agouro mais terrível Que ninguém quer confrontar. Como a Esfinge Caveira O homem vive Sob o véu das sombras No submundo da mente Atraído pela luz que revela No inconsciente, porém A luz queima E tortura Quem lhe é indiferente Feliz, talvez será Aquele que a luz, desafiar. Sob o véu desse dilema A dualidade da existência Entre a luz e a escuridão Entre o sonho e a verdade Em busca da iluminação Nas profundezas do ser Nos recantos do coração. Reuniram-se grandes guerreiros Com tochas, capas, espadas E pergaminhos nas mãos Oriundos do mundo inteiro Desceram ao grande mistério Ao fundo do poço sagrado Nos labirintos da mente No oculto do inconsciente Nos redutos mais obscuros Um porão com sete chaves Para enfrentar o guerreiro das trevas O cavaleiro negro da alma Que alimenta a sombra nefasta. Os arquétipos guerreiros Fizeram um juramento Só voltar à superfície Após vencer o tormento E partiram a galope Por labirintos ocultos Lançando feitiços Abrindo clareiras na escuridão. Após luas de cavalgada Pararam para descansar Numa caverna gelada A noite fria assombrava Tiveram um pesadelo Com o cavaleiro das trevas Despertaram em sobressalto Olharam-se em silêncio Em volta da fogueira sagrada Invocaram poderes antigos E conjuraram a proteção Do arco enfeitiçado Que disparava mil flechas Com tochas incendiárias Iluminando a verdade Com imagens ancestrais. Todos se lembraram do sonho Que continha uma mensagem Metáforas, símbolos, imagens Monstros e heróis, antes insondáveis Decifraram o enigma E encontraram as chaves Abriram as sete portas Do porão enfeitiçado Libertaram os pensamentos Daquela cripta selada Uma luz tomou conta de tudo Numa alquimia sagrada Se fez a revelação E a sombra foi desvelada Renasceram a alma O homem E o fogo do coração. Como a Esfinge Caveira O homem vive sob o véu das sombras No submundo da mente Atraído pela luz que revela No inconsciente, porém A luz queima E tortura Quem lhe é indiferente. Feliz, talvez será Aquele que a luz, desafiar.